O Presidente da ACAISA diz que o Município tem grandes potencialidades, mas é preciso melhorar o ambiente de negócios, e interroga-se sobre as políticas seguidas na última década. Para Felisberto Furtado Veiga não fez sentido o encerramento da Alfândega, que aniquilou a actividade empresarial da região. Mas, apesar de tudo, manifestou confiança no futuro

Município do interior de Santiago, Santa Catarina está no nó central da maior ilha do País e dista da Cidade da Praia cerca de 40 quilómetros, sendo o terceiro concelho do país em termos de população, registando actualmente à volta de 47 mil habitantes, numa região (Santiago Norte) que tem 120 mil. Município com a maior área territorial, é historicamente um grande centro de negócios.

Numa altura em que se fala da importância estratégica do Concelho como alavanca de desenvolvimento da região, o nosso portal esteve à conversa com Felisberto Furtado Veiga, Presidente da Associação Comercial, Agrícola, Industrial e de Serviços de Santiago (ACAISA), uma estrutura empresarial que tem vindo a afirmar-se como voz activa dos agentes económicos da ilha e de Santa Catarina em particular.

PROJECTAR SANTA CATARINA PARA O FUTURO

“O custo da nossa localização é caro para se montar um negócio, por exemplo, para se importar paga-se, neste momento, um valor proibitivo por um contentor. Tendo o Concelho este peso todo, faz todo o sentido chamar a atenção para a necessidade de projectar Santa Catarina para o futuro”, disse Felisberto Veiga, acrescentando que “os empresários têm que ter um porto o menos custoso possível, com incentivos que melhorem o ambiente de negócios”. Nesse sentido, “faria todo o sentido” avançar com a construção de um porto em Ribeira da Barca.

O Presidente da ACAISA sublinha que é necessário, de igual modo, conforme está previsto, avançar-se também com o porto de Santa Cruz, “numa lógica daquele eixo das ilhas de Sotavento”, como aliás – relembra Veiga – foi referido recentemente pelo Presidente da Câmara de Santa Catarina, Francisco Tavares num encontro de empresários da Região de Santiago Norte.

AVANÇAR COM OS PORTOS DE RIBEIRA DA BARCA E SANTA CRUZ

“Quando se analisa Cabo Verde, do ponto de vista do país, a maior mancha populacional está neste eixo: Maio, Santiago Norte, Fogo e Brava”, acentua o representante dos empresários. Por tal, os portos de Ribeira da Barca e Santa Cruz iriam “mitigar muita da pressão existente sobre o porto da Praia”, pelo que “fazia todo o sentido fazer o planeamento físico, dotando os municípios de zonas industriais, entrepostos portuários, para que o desenvolvimento se comece a desenhar”, refere ainda Felisberto Veiga. Uma forma, aliás, de mitigar o desemprego na região.

Veiga dá um exemplo: “uma fábrica de confecções emprega, geralmente, 300 a quinhentas pessoas”, mas também o sector agropecuário, como “uma fábrica de tratamento de carne ou de recolha e tratamento de pasto, e cada uma destas fábricas traz consigo outras actividades que são complementares: charcutaria, produção intensiva de gado… um conjunto de questões, para dizer que jamais seremos competitivos se não seguirmos nesta linha”.

Felisberto Veiga considera que “já se fez muita coisa em matéria de infraestruturas, mas agora falta cada município ter o seu Plano Estratégico de Desenvolvimento. Já há os Planos Directores, essas questões estão lá definidas, agora faltam projectos concretos para se melhorar o ambiente de negócios”.

NOVAS POLÍTICAS

O Presidente da ACAISA interroga-se: “será que as políticas implementadas nos últimos anos têm a tendência para afastar o empresariado nacional?”. A questão justifica-se até por razão de o comércio em Santa Catarina ter sido tomado por empreendedores estrangeiros, reduzindo substancialmente os comerciantes cabo-verdianos. “Entendemos que é preciso rever as coisas de uma forma profunda, traçando um [novo] eixo estratégico, temos que criar condições para os nossos comerciantes que tenham capacidades de gestão técnico-financeira”, sublinha Felisberto Veiga, acrescentando: “temos regiões agrícolas, temos potencialidades agropecuárias, temos potencialidades para o turismo, mas temos de criar as ferramentas porque sem uma zona industrial não se consegue montar uma fábrica, sem uma zona de turismo integrado não se consegue montar um resort”.

“Em 2005 criamos a ZDTI de Rincão, mas ainda não conseguimos criar uma Zona Industrial (ZI), portanto, são esses projectos-âncora que devem ser incentivados para os outros, pela via da complementaridade poderem crescer com alguma sustentabilidade, refere também o dirigente associativo dos empresários. Para isso é preciso “muito diálogo” e abrir janelas de oportunidade para os empresários da região, para mais num contexto onde “os centros de decisão estão todos na Praia”.

Felisberto Veiga considera que um dos temas recorrentes como a Regionalização, contempla um conjunto de ideias que têm “um substrato lógico”. O Presidente da ACAISA considera, aliás, que Santiago Norte e Santiago Sul são já “duas regiões naturais”, não fazendo sentido planificar Santiago Norte “sem esse conceito de região”.

FECHO DA ALFÂNDEGA ANIQUILOU EMPRESÁRIOS DE SANTA CATARINA

Veiga, apesar de todos os constrangimentos, acredita no futuro: “temos uma região bastante promissora”. No entanto, sublinha que foi errada a decisão de acabar com a Alfândega em Santa Catarina. “Não sei o que aconteceu, mas o facto de a Alfândega existir em Santa Catarina tinha consigo um conjunto de outras actividades paralelas, fazia funcionar os restaurantes, as pessoas vinham do interior tratar de tudo em Santa Catarina, fazia funcionar os transportes, e os dados disponíveis referem que entre a Alfândega e o Fisco era um movimento acima dos 20 (vinte) mil contos mensais, o que era um bom negócio para o Estado”. Como consequência, o fecho da Alfândega “aniquilou completamente os empresários de Santa Catarina”, fez questão de acentuar Felisberto Veiga. Em abono desta tese, refira-se que as empresas de importação, praticamente desactivaram-se todas.

 


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