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Município de Santa Catarina   Jorge Carlos Fonseca  

Em cada gesto, terra a terra, de Saltos a Boa Entradinha, um povo cansado das promessas, vergastado pelas desditas, mas curiosamente mantendo aquele olhar de esperança e um sorriso do tamanho do mundo, orgulhoso por, pela primeira vez, receber a visita de um Presidente da República

Os queixumes foram muitos. A estrada (Assomada-Saltos-Santa Cruz) que não vem, apesar de lançada a primeira pedra em 2010 (por duas vezes), com verbas desviadas para a ponte da Boa Vista, o “deixa andar do governo” que, nem por amabilidade uma satisfação dá; o desemprego, o mau ano agrícola, coisas todas a que o poder central não dá resposta e, por essa via, o estrangular das finanças locais e a impotência da autarquia perante o garrote de um executivo pouco chegado a estender a mão a câmaras da oposição.

Mas também a água escassa (agora em vias de se resolver), a degradação das casas, mais além a desesperança de gente sofrida recorrendo ao “último recurso” que é Jorge Carlos Fonseca (JCF) – um Presidente junto das pessoas.

Pelo meio, algumas alegrias. Por exemplo, a inauguração do Espaço Jovem de Saltos (em Ululú); as batucadeiras, a dança a que JCF não negou dar os pés; a alegria da partilha de uma feijoada; os brindes a sumo e copos de água; o orgulho de ter pela primeira vez a visita de um Presidente da República.

Coisa pouco serviria para arrastar este povo numa alegria maior, não fora a escassa comida na panela e a falta de trabalho. Coisa tão pouca que, apesar do orgulho destes 40 anos de briosa soberania, ainda ninguém conseguiu atender…

Na rota do Presidente do Povo, Ululú, Saltos, Ribeirão Isabel, Pingo Chuva e Boa Entradinha, primeiro timidamente, depois em efusivas declarações, receberam Jorge Carlos Fonseca e deram nota desse país profundo, à margem da bazofaria da capital, sem centros comerciais ou lojas de marca, sem “bombas” de alta cilindrada e salamaleques novo-riquistas.

Em cada localidade, no contacto directo com as gentes envoltas nesse cheiro a poeira e fumo de lenha, percebe-se perfeitamente um país a duas velocidades de que – não parece haver dúvidas – o Supremo Magistrado da Nação (assim sói dizer-se) tomou viva nota para “memória futura”… Uma memória que nem os tempos imemoriais alguma vez poderão apagar. Assim se cumpra!