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Francisco Tavares   Câmara Municipal  

A questão vai ser colocada à ministra do Desenvolvimento Rural, que visita o município na próxima semana. O Presidente da Câmara quer ainda contratos-programa financiados pelo governo para garantir emprego público temporário e uma ajuda clara aos produtores pecuários

Preocupado com a situação no município, Francisco Tavares sustenta a necessidade de se estabelecer um Plano de Emergência para Santa Catarina, tendo em vista enfrentar o espectro da fome, decorrente do desemprego e do mau ano agrícola.

Uma questão que o edil irá abordar com a ministra do Desenvolvimento Rural, Eva Ortet, que visita o município, ao que tudo indica, na próxima terça-feira. A visita da ministra vem na sequência de um convite do edil, a que de imediato Ortet respondeu favoravelmente, tendo nas últimas horas agendado a data.

“Estamos a organizar-nos para receber essa visita, para que nós e o governo, os deputados nacionais e municipais de ambas as bancadas possamos visitar e constatar in loco, ouvir as populações, os criadores de gado, e podermos juntos gizar um plano de emergência”, afirmou na última sexta-feira, 31 de Outubro, Francisco Tavares, antevendo já a visita da ministra que agora se confirma.

O Presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina considera importante que tal plano garanta, a um primeiro tempo, “o salvamento do gado, porque a venda ao desbarato levará à descapitalização do sector, ao empobrecimento de milhares de famílias” num concelho que é o maior produtor nacional de pecuária. E, naturalmente, num segundo tempo, obstar “ao aumento do preço da carne”, uma possibilidade preocupante para o sector já que iria reduzir drasticamente o número de consumidores.

Por outro lado, Francisco Tavares defende a implementação de “contratos-programa para obras de interesse municipal e nacional, que o governo deverá financiar e que garantam emprego público temporário”, única forma de dar resposta eficaz à situação de fome que se vive no município.

Há fome em Santa Catarina

“Neste município vivem cerca de 16 por cento dos pobres de Cabo Verde, a maior bolsa de pobreza está em Santa Catarina. Depois de muitos anos de desemprego e com o agravamento da crise que o País vive neste momento, sobretudo com o mau ano agrícola, há gente passando fome”, disse ainda o edil, revelando: “eu sei porque essa gente chega próximo do Presidente da Câmara, pode até nem chegar junto de outros eleitos, mas confia no Presidente, e eu dou-lhes tratamento imediato”.

Presidência aberta

Segundo o autarca, “o ano agrícola está perdido em Santa Catarina como no resto de Cabo Verde, e estamos a falar do terceiro maior município do país, estamos a falar do maior município de produção pecuária de Cabo Verde – a actividade económica de 73 por cento (%) da população de Santa Catarina”. E procurando encontrar respostas para o problema vivido pelos santacatarinenses, Francisco Tavares pretende realizar a partir da próxima semana uma “Presidência aberta” com passagem por várias localidades do concelho.

“Queremos fazer um levantamento da situação concreta dos munícipes e ver de que forma poderemos ajudar juntamente com o governo e, acima de tudo, dar um sinal claro de que este Presidente e esta Vereação estão com as pessoas em todas as circunstâncias, principalmente quando passam por dificuldades”, disse a este portal Francisco Tavares.