No encontro de empresários realizado este sábado na Assomada, o Presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina fez um discurso optimista sobre a região e apelou aos operadores económicos que tenham um “espírito de risco e ousadia”

No encontro de empresários ocorrido na manhã deste sábado, 8, na Cidade de Assomada, o Presidente Francisco Tavares indicou as grandes linhas para o desenvolvimento de Santa Catarina e da Região de Santiago Norte. Mas a “receita” para alavancar o desenvolvimento da parte norte da ilha passa, desde logo, por uma nova atitude: “espírito de risco e de ousadia”, fez questão de sublinhar o edil. Uma ousadia que deve envolver todos os intervenientes, empresários e poderes públicos.

No Salão Nobre da autarquia santacatarinense, o edil falou para uma sala cheia de empresários e na presença da Ministra do Turismo, Investimento e Desenvolvimento Empresarial, Leonesa Fortes, e dos presidentes da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Sotavento (CCISS) e da Associação Comercial, Agrícola, Industrial e de Serviços de Santiago (ACAISA), respectivamente, Jorge Spencer Lima e Felisberto Furtado da Veiga.

A escolha de Assomada para a realização do evento não foi por acaso [ver entrevista mais adiante com Jorge Spencer Lima], a cidade do planalto é a terceira mais importante urbe do país e a segunda de Santiago, pelo que está no centro de qualquer estratégia de desenvolvimento.

O portal da Câmara Municipal de Santa Catarina ouviu de viva voz as ideias avançadas por Francisco Tavares, num fórum que se pautou por momentos de grande importância e utilidade para o traçar de novos caminhos que permitam fazer de Santa Catarina um município de referência para toda a Região de Santiago Norte e para o País.

Normalmente verifica-se um discurso oficial cheio de redondilhas e chavões sobre “economia sustentável” que, depois, percebe-se não ter qualquer substância ou expressão prática. Pelo contrário, a sua intervenção traçou as grandes linhas para o desenvolvimento de Santa Catarina e da região. Acredita que nos próximos tempos alguma coisa pode mudar em Santiago Norte?

Francisco Tavares – Necessariamente vai mudar por pressão das circunstâncias, até porque já temos muita água disponível, que ainda não está sendo completamente bem gerida, mas não irá demorar muito. De forma que eu acredito que as coisas vão mudar. E vão mudar porque – também acredito – há uma boa propensão para o surgimento de empresas, sobretudo de jovens, especialmente porque há aqui algumas oportunidades, que são grandes oportunidades de baixo risco, e que se não forem aproveitadas por empresários daqui, virão de fora, nomeadamente, estrangeiros. Por exemplo, o projecto de entreposto de carnas já é conhecido O que tenho dúvidas que mude profundamente, no imediato, é a área do turismo. Porque enquanto o Governo não eleger a ilha de Santiago como um novo destino a promover, nada acontece.

Santiago ainda não foi vendida como destino turístico. A ilha tem que ser vendida como destino, com a sua riqueza, com toda a sua diversidade. Sei que houve alguma contensão - e talvez tenha sido uma boa escolha -, para resolver problemas básicos como o saneamento, mas também não queremos ter o funcionamento que a Boa Vista tem com tantos estrangeiros. Mas é preciso implementar uma certa dinâmica porque já é tempo de se vender Santiago como destino turístico.

Na sua intervenção no encontro enfatizou uma coisa importante: turismo cultural e ecológico. E isso é uma ideia que releva uma arquitectura diferente da oferta turística da Boa Vista e do Sal – que, aliás, nem traz muito dinheiro para o País, já que o turismo de massas, com o princípio tudo-pago, faz com que o dinheiro fique na origem. Aqui, passará mais por turismo residencial e pequenas unidades hoteleiras. É isso?

Exactamente. Para a ilha de Santiago não queremos grandes resorts como no Sal e na Boa Vista. Esta ilha não precisa mesmo disso. Santiago tem uma diversidade, uma riqueza em termos de produtos turísticos propícia a que os turistas façam caminhadas, andem de cavalo e tenham tempo para conviver com o povo, conhecer bem a região, consumir os nossos produtos, a nossa cultura. E isso só pode acontecer com outro tipo de turismo, ecológico, cultural, residencial e com pequenas unidades hoteleiras, de forma que o dinheiro fique aqui e entre na economia do comércio e das famílias. Um turismo que faça as pessoas virem e voltarem porque foram bem tratadas, como se fossem familiares.

Na sua intervenção disse várias vezes que os empresários devem ter “espírito de risco e ousadia”. E disse, também, que a região tem capacidade para a instalação de unidades industriais, nomeadamente, um entreposto de carnes, o que faz todo o sentido porque a região é a principal produtora de carne do país, acrescentando ainda que Santiago Norte pode vir a ser o celeiro de Cabo Verde.

Havendo água e mão-de-obra jovem disponíveis, potencia-se a possibilidade de instalação de empresas de médio e grande porte viradas para a agropecuária. E, nesse sentido, seremos mesmo o celeiro de Cabo Verde. E tudo isto irá enriquecer os nossos agricultores.

Mas disse ainda que Santiago Norte - e, particularmente, Santa Catarina – ambiciona ser o segundo polo nacional de conhecimento técnico e científico, a seguir à Cidade da Praia.

Porque todas essas ideias, esses grandes projectos, requerem muita formação técnico-científica, muita investigação aplicada e aqui há muito espaço para instalar um polo de conhecimento.

Referiu, ainda, outras duas coisas: o Porto de Ribeira da Barca, para ser utilizado pela pesca e ancoragem de navios de cruzeiro. E falou noutra coisa que faz também todo o sentido – e que resolveria até metade dos problemas de ligação entre ilhas de Cabo Verde -, a criação do eixo Santa Catarina - Santa Cruz (quando houver porto), Maio, Fogo e Brava, transformando Santa Catarina no pivô do eixo de Sotavento.

Com a Praia, somos 67 por cento (%) da população de Cabo Verde, Ou seja, mais de dois terços do mercado cabo-verdiano.

Referiu também a ZDTI [Zona de desenvolvimento Turístico Integrado] de Rincão, o que ela tem de particular para ser assim tão importante?

A ZDTI tem 678 hectares, começa em Rincão e termina próximo de Ribeira da Barca, A ZDTI poderá envolver uma faixa até 75 mil turistas por ano, será um emissor da cultura e de produtos da ilha de Santiago, com enfoque em Santa Catarina. Ou seja, recebendo naquela área 75 mil turistas todos os anos, é claro que já se justificará a construção de um aeródromo - que o Plano Director Municipal (PDM) prevê -, e de lá vai emitir turistas para a Cidade de Assomada, para o turismo de montanha, para o turismo ecológico de todo o interior da ilha, propiciando a compra de bens e serviços. Para além disso, 75 mil turistas por ano é muita demanda de produtos agrícolas e pecuários da região.


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